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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dia da Gratidão



Hoje comemora-se o Dia da Gratidão. É um momento para celebrar a sua existência, as paixões, parentes, amigos e todas as pequenas coisas que trazem alegria à sua vida. O que você valoriza? Quem você aprecia? Como você expressa sua gratidão aos outros?
A gratidão é um conjunto de vários sentimentos: amor, ternura, amizade... É o reconhecimento de que não somos os únicos responsáveis pela nossa própria condição. Ser grato é reconhecer que outras pessoas também participaram na produção de nossa vida. Um pouco de humildade que obriga a reconhecer o outro como parte de nossa alegria. É poder dedicar, compartilhar a graça recebida.
Mas é importante não confundir gratidão com bajulação ou lisonjas, com servilismo. Não há hierarquia na gratidão, não há diferenças. Sentir-se grato, com um sentimento constante de dívida impagável, pode não ser muito saudável. A gratidão é sempre boa na medida da alegria que a acompanha. E a angústia de uma dívida constante carece de alegria.
Cultive a gratidão
  • A gratidão te lembra das coisas positivas da vida. Faz você feliz com as pessoas e situações em sua vida, sejam eles pessoas queridas, uma pessoa que conheceu que foi atenciosa com você, ou mesmo um bem-te-vi que canta em sua janela.
  • A gratidão te lembra do que é realmente importante. É mais difícil reclamar sobre as pequenas coisas quando você é grato por seus filhos estarem vivos e saudáveis. É difícil se estressar com as contas a pagar quando você é grato pelo teto sobre sua cabeça.
  • A gratidão faz você agradecer aos outros. O simples ato de dizer "obrigado" a alguém pode fazer uma grande diferença na vida dessa pessoa. As pessoas gostam de serem apreciadas por quem elas são e pelo que fazem. Não custa nada, mas faz alguém feliz. E fazer outra pessoa feliz vai fazer você feliz também.
  • A gratidão transforma o negativo em positivo. Seja grato por ter desafios. Seja grato pois você pode aprender com estes desafios. Seja grato pelos desafios fazerem de você uma pessoa mais forte.

Pequenas sugestões para um dia-a-dia com mais gratidão
  • Medite com gratidão. Somente uns 2 ou 3 minutos pela manhã para lembrar por quem ou pelo que você é grato. Você só precisa fechar seus olhos e silenciosamente pensar nas coisas e pessoas que tem a agradecer por fazerem parte da sua vida.
  • Diga obrigado. Quando alguém faz algo de bom para você, ainda que algo pequeno lembre-se de agradecer. E realmente seja agradecido.
  • Enxergue diferente o "negativo" em sua vida. Há sempre duas maneiras de olhar para alguma coisa. Muitas vezes passamos por algo negativo, estressante, perigoso, triste, difícil. Os problemas podem ser vistos como oportunidades para crescer, para ser criativo, para aprender, para mudar. A mesma coisa pode ser olhada de uma forma mais positiva. É uma ótima maneira de se lembrar que há o lado bom em quase tudo.
  • Veja qualidades nas pessoas. Tente se concentrar nas qualidades das pessoas ao invés de seus traços negativos. Se você percebe as qualidades de alguém, isso serve de incentivo para essa pessoa. Essa mudança de atitude pode ajudar a melhorar o seu relacionamento com os outros, permitindo-lhes saber que você os aprecia como são.
  • Liste as coisas boas que aconteceram durante o dia. Antes de dormir, lembre-se de tudo que aconteceu de bom no seu dia. Leva um minuto ou dois, muito pouco para ter um sono mais tranquilo e feliz.
  • Simone Kobayashi

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ciranda, cirandinha



Criança ou adulto em miniatura?
Há dias me surpreendi ao ver uma menina, de uns quatro anos de idade, com trajes que traduziam a insensatez dos adultos responsáveis por ela. Vestia um shortinho colado ao corpo e de tal forma transparente que deixava visualizar a calcinha, de modelo bastante sensual e nada infantil. A blusinha curta deixava à mostra a barriga. No rosto, blush e na boca, batom vermelho. Nos pezinhos, um tamanco com saltinhos que a obrigava caminhar com dificuldade, mas que não a impedia de andar de forma também sensual. Nas mãos, uma bolsa que imita um modelo usado por uma mulher adulta.
Esse fato deixou-me bastante perturbada e comecei a refletir: o que a sociedade atual está fazendo com as nossas crianças?
Se nos reportarmos à Antiguidade, veremos que a infância não era respeitada como tal. Há notícias de que crianças participavam de todas as atividades destinadas aos adultos, inclusive de orgias, e não havia diferença nenhuma no tratamento e cuidados para com elas. Até nas pinturas podemos ver retratada essa questão, quando o artista pintou as crianças com trajes semelhantes aos dos adultos, pois de fato não havia essa especificidade, uma roupa própria para a idade do brincar e do movimento.
Somente a partir do Século XVII é que a criança começa a ser encarada como uma pessoa que ainda não tem discernimento dos seus atos e necessita de um olhar e atitudes diferenciados para a sua condição.
No Século XVIII pensadores como Jean Jacques Rousseau já alardeavam que a criança não é um adulto em miniatura, ou seja, é um sujeito que precisa ser tratado de acordo com suas necessidades em cada uma de suas fases de crescimento.
Hoje, temos notícias de crianças que assistem filmes com cenas de sexo explícito. De crianças, cujos pais deixam revistas pornográficas ao seu alcance, e têm sob os olhos cenas que só poderiam ver na idade adulta. Então me pergunto: há muita diferença da situação de hoje para as daquelas crianças da Antiguidade, que assistiam e até participavam de orgias? O que sente uma criança quando assiste a uma cena de sexo na TV? Ou vê as fotos de um ato sexual numa revista? Lembro-me de uma amiga que, apavorada, veio me confidenciar sobre algo que a filhinha de cinco anos lhe dissera. Sua menina lhe contara que quando via um casal se beijando na novela, sentia uma "dorzinha na xoxota”. O que eu pude lhe dizer é que penso que sua criança está sendo excitada, visualmente, aos cinco anos de idade. Sendo assim, com que idade essa menina vai iniciar um relacionamento sexual? Terá amadurecimento físico e emocional para isso?
Desse modo, creio que a nossa sociedade, que evoluiu de forma espantosa nos últimos tempos, precisa repensar a maneira com que está educando as suas crianças. Será que estamos regredindo nesse aspecto? Como disse Rousseau, a criança não é um adulto em miniatura. Não haveria necessidade de uma médica ortopedista ir à TV dizer que meninas estão ficando com problemas nos ossos e articulações por causa do uso de sapatos de salto, se os pais não agissem como os pais lá da Antiguidade, que não reconheciam a infância de seus filhos. Saltos, maquiagem, roupas sensuais, danças que mais parecem um ritual de acasalamento não são apropriados para crianças. Vamos deixar nossas crianças serem infantis. A vida adulta as espera, com toda a sua complexidade. Elas terão tempo para tudo isso. E, com certeza, sentirão saudade de uma infância que não viveram.
Maria Aparecida Medeiros Diniz
Pedagoga